Introdução: A prostatectomia radical laparoscópica consolidou-se como uma das principais modalidades terapêuticas para o câncer de próstata localizado, associando controle oncológico eficaz e menor morbidade. Contudo, a preservação funcional — especialmente continência urinária e função erétil — permanece um dos maiores desafios cirúrgicos. Objetivo: Analisar os desfechos funcionais e oncológicos de pacientes submetidos à prostatectomia radical laparoscópica, identificando fatores relacionados à recuperação pós-operatória. Metodologia: Estudo retrospectivo, incluindo 178 pacientes operados entre 2019 e 2024 em um hospital terciário. Avaliaram-se idade, escore de Gleason, estádio clínico, técnica de preservação neurovascular, margens cirúrgicas, continência urinária (uso de zero ou um absorvente/dia) e função erétil (IIEF-5). Análise estatística por regressão logística (p < 0,05). Resultados: A média de idade foi 62,4 ± 7,3 anos. Margens cirúrgicas negativas ocorreram em 83% dos casos. Continência urinária em 12 meses foi observada em 76% dos pacientes. Preservação da função erétil ocorreu em 48% dos indivíduos com preservação bilateral dos feixes neurovasculares. Idade maior e Gleason ? 8 foram associados a piores resultados funcionais (p < 0,01). Discussão: Os resultados demonstram que a técnica laparoscópica proporciona adequado controle oncológico com taxas de continência urinária comparáveis às séries internacionais. A função erétil permanece influenciada pela dissecção neurovascular e pelas características tumorais pré-operatórias. Considerações Finais: A prostatectomia radical laparoscópica é eficaz no tratamento do câncer localizado, apresentando bons resultados funcionais quando há preservação neurovascular adequada. Novas abordagens robóticas podem aprimorar ainda mais os desfechos.
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